terça-feira, 8 de maio de 2012

todo mundo precisa usar a borracha

enquanto desenhava, percebi a necessidade que eu tinha de ter a borracha por perto caso eu quisesse corrigir algum erro... quando terminei o desenho ainda senti necessidade de melhorar alguns traços, que não eram erros. nem tudo é erro, nem tudo precisa ser corrigido. mas alguns traços precisam ser melhorados... por que não usar a borracha?

No desenho tem escrito: "o vento (ou o acaso) evitando dores maiores..."

domingo, 6 de maio de 2012

censurado

não quero falar do que eu não sei.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

sem desesperos!


Tudo começa por um motivo.
depois de coisas acontecidas, resolvo esquentar as ancas numa cadeira com forro de plástico, ligo um ventilador no mais fraco e procuro músicas que se encaixem com o clima. escutei chico buarque e me senti velha, sóbria demais, muito séria.
pensando em coisas acontecidas, resolvo apertar duas vezes sobre a pasta: tulipa ruiz. e mais dois cliques: efêmeras! só ouço.
resolvo acreditar nisso e me acalmo. já posso ouvir outra música agora. passou.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

sábado, 7 de janeiro de 2012

qualquer coisa




e é desse jeito que a gente vai dizendo da vida...

domingo, 18 de dezembro de 2011

Ele acordou de manhã bastante apressado: "não posso perder o voo!"
E não perdeu.
Quando abri os olhos já estava no aeroporto. Fui vendo sua matéria sumindo a cada passo a frente que era dado. Até que ele sumiu. Fiquei parada uns 10min, olhando pro infinito, vendo o espectro de alguém que um dia me amou sumir. De alguém que um dia eu amei. E a sensação era exatamente essa: a de ver alguém que a gente ama viajar. Precisar ir embora. Ter que ir embora. Ir embora.
Às vezes eu não amo ele, mas tem dias que eu o amo tanto que sofro.
Me esqueci de pedir o endereço em caso de saudade.

domingo, 11 de dezembro de 2011

essa é a pior sensação do mundo: querer proteger alguém dos outros.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

coisa


"exatamente! e tá mesmo! uma parte da sua vida, da sua intimidade. o cara que viu você gozar, que viu suas faces mais intimas, seus segredos, seus medos. é engraçado, mas é surreal, se você pensar não como algo banal, mas como uma coisa surreal. o sexo é surreal, principalmente quando se ama. é uma dança, sei lá. to começando a devanear. parei. mas tu entende, né? as coisas têm outra dimensão que não só a de coisas. tudo bem que isso é um pensamento que só surge no sofrimento. porque tem coisas que o ser humano só se dá conta quando sofre. mas é extremamente relevante. você termina se entregando ao outro deliberadamente, sem freios, sem resistencias... parece que você não é nada sem o outro e quando você fica só você se perde e encontrar o outro como um estranho na rua, mas sabendo que ele tem algo seu. parece um ladrão que rouba descaradamente e ninguém faz nada."

terça-feira, 26 de julho de 2011

Eu não preciso me explicar.

Dos conflitos genuinamente terrenos, eis que alguns se vão com o tempo, como o vento, enquanto que outros duram, ultrapassam barreiras, se instalam na sua vida como uma doença. Filósofos morreram cansados de tentar encontrar explicação pros desencontros oriundos da existência humana. O ponto de estofo nunca é alcançado e quando o é, dura menos que três segundos. Talvez a explicação fosse a melhor saída, mas o que se impõe são as reticências, talvez a dúvida seja a melhor pedida. A incompreensão é parte indispensável na morada da terra, nas relações afetivas, no cotidiano. Saber demais, se explicar demais, entedia. Um ócio que destrói. E não há nada melhor do que mergulhar fundo nesses desencontros perfeitos, nessa paz que é a ignorância, o desconhecimento de si e do outro. A possibilidade de entendimento está no caminho oposto.

Da complexidade da inspiração.

Dentre os desejos mais íntimos e utópicos, escrever é um deles. Melhor: viver da escrita é um deles. Tudo bem que seria uma profissão bastante instável, afinal não se encontra inspiração na esquina e nem é todo dia que se sofre de amor. Mas às vezes dá vontade de largar tudo. Vida social, família, amigos, psicologias, filosofias, divãs e etc., para se eternizar numa cadeira confortável, ergonometricamente feita para quem ama a arte de se expor. Para aqueles que sentem prazer em se vender por tão pouco; por nada. Que encontram motivo em qualquer sinal escondido do corpo, em qualquer asfalto, em qualquer céu. Nos dias em que fui mais triste, fui mais feliz. Escrever tem dessas coisas.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

acorde!

só digo uma coisa: se a gente não tomar cuidado a vida termina nos deixando monstros.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Ar!

Tá, chegou a hora de mudar o perfil desse blog! A hora da mudança é sempre bem-vinda, principalmente quando é para a melhor.
Hoje é um dia de poucas palavras. Sentir é mais importante.
Só quero deixar claro pra mim, que a felicidade vale mais a pena ser sentida do que escrita.
E talvez isso explique tudo.


Amor!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

continua solta

O nome do blog nunca teve absolutamente nada a ver comigo, tampouco com alguma vontade implícita de ser "livre". Mas muita gente não entende liberdade, não entende amor, não entende. Eu sempre me sinto muito incompreendida em diversas dimensões da minha vida. Família, amigos, relacionamentos. O mais complicado é atestar isso. Atestar a incompreensão alheia e aceitar as consequências nunca boas de ser assim, ainda que sem querer. Tentar compreender as coisas que vão acontecendo, deliberadamente, ao meu redor só aumenta a minha vontade de desaparecer. Olhar pra mim hoje, agora, e ter que abrir os olhos pra encarar um dia inteiro, uma vida inteira pela frente, cansa. Lembrar das responsabilidades que não estão nem aí pro que você tá sentindo, ver os ponteiros do relógio passando sem falhas, legitimando os acontecimentos só me causa uma sensação de incapacidade. To levando em consideração meu luto pelos últimos acontecimentos, mas talvez no sofrimento você enxergue melhor as coisas, com mais clareza, menos ilusão, menos amor. O amor é muito lindo e muito eficaz quando acompanhado de outros sentimentos de grande valia. O amor tem vários defeitos, assim como eu. Um deles é ser infantil, ser frágil e delicado. O amor é muito pouco pra sustentar uma relação, pra aturar ciumes, incompreensões, futilidades. Mais uma vez eu, aqui, com a MESMA queixa, sofrendo de dores já sofridas, por coisas já perdidas, passadas. Eu, de novo, aqui, escrevendo dor. Eu, novamente, chorando por um pretérito imperfeito.

To sofrendo; to viva!
Queria morrer por uns dias.

sábado, 23 de outubro de 2010

amando atingimos as raízes do ser, dos buracos sem fim, enfim, se desvelam as luzes. porque quando amamos sentimos no fundo algo muito profundo, inundando os lugares mais estreitos, os menores espaços são todos ocupados por algo que fertiliza, e então mais raízes. raízes grandes, daquelas que ocupam grandes espaços, que ocupam corpo inteiro, perfuram órgãos vitais, órgãos banais, introduzem-se neles sem pedido de licença, sem mais concessões. que por ora nos fazem acreditar que não precisamos mais de espinha dorsal, veias, cerebelo, o que sustenta mesmo são essas raízes, esses braços que abraçam e embaraçam totalmente o movimento, turvando a vista, alterando deliberadamente todos os sentidos, desorganização plena e bem quista. caos. amor.



Neruda conhece o poder das raízes.

domingo, 3 de outubro de 2010

Perene


Escute, eu não faço questão nenhuma de passar 40 minutos sentada ao teu lado te explicando filosofia. Pouco me importa se amanhã vou precisar acordar mais cedo, a vida às vezes tem dessas coisas: trabalho, curso, compromisso. Também não ligo se, em certos momentos, vou ter que respirar mais fundo e contar até 10, até 100 pra manter o equilíbrio, juro, eu não ligo. Sim, eu quero sim ficar contigo nos dias de chuva ou de sol, sei lá, nos dias, na vida, eu quero isso. Quero ouvir teu silêncio, aquele que surge após alguma indagação minha, sobre nós, sobre a vida, sobre. Quem sabe satisfazer teus desejos de homem maduro, aqueles sonhos de quem "já passou dessa fase", aquele lugar, aquela casa, aquela família. Tudo aquilo que se divide com o outro, o desejo em comum, aquilo que, embora imprevisível, esperamos que o outro também queira e também espere. Me esforço imensamente pra fazer com que tudo permaneça bem, ma-ra-vi-lho-so, mesmo com as mudanças que irão acontecer, mas que fiquemos juntos, crescendo, amando. E que tu queira o mesmo, e deseje e sonhe e sinta. Quero beijar tua cabeça branca, quero teus olhos cansados de um dia inteiro, teu coração ainda pulsante na minha mão ainda sensível, teu último suspiro.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

"vontade de abraçar o infinito"

"Conforto alucinante, tranquilidade na clareira do caos
O ponteiro, ele rodou mais rápido no mesmo relógio de ontem
O que as horas guardam nos espaços do contra-tempo?
A mulher?
O desejo é um tempo parado
É quando se trocam as datas dos bichos e das flores
É quando aumenta a rachadura da velha parede
É quando se vira a folha, a folha da história
É quando se pinta um fio branco na cabeleira preta
É quando se endurece o rastro de sorriso
No canto dos olhos
Eu sei que a viagem é longa
A voz vai e vem
Você ta aí?
Você ta aí?
Ei, você está aí?"

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

quem?

quem seria capaz de responder por que quando amando a dimensão dos sentidos, das coisas, dos fatos são completamente deturpados? porque assim amando um segundo distante parece um ano.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

setembro

primeiro de setembro: renovando a existência.
ninguém sabe o poder que tem de fazer a vida do outro se transformar em outra vida, completamente nova, completamente linda (no sentindo mais sutil e doce e delicado e abstrato que essa palavra pode contemplar).


minha gente, eu tô!

domingo, 22 de agosto de 2010

RaioX high tech




















- A gente devia aderir à moda de andar pelo avesso. Inverter as camadas da pele, deixar o coração pendurado do lado de fora, os neurônios funcionando a céu aberto, a sinapse acontecendo a olho nu... Assim a gente sabia, desde o primeiríssimo contanto, exatamente quais são as intenções do outro estranho.

- Do eternamente estranho inclusive, se não se colocar pelo avesso.

- É, se as sinapses não acompanhassem o mesmo ritmo, se a sístole e diástole de um acontecessem 4x mais depressa que a do outro, se o sangue de um parecesse ter mais pressa que o do outro pra chegar à cabeça e oxigenar o cérebro já cansado de tanto decodificar a libido daquela situação: Adios e pronto. Mas, po, lidar com humanos que, assim como um iceberg, só deixam uma pontinha de si à mostra é, constantemente, se equivocar. A comunicação é sempre falha, sempre. Digo comunicação no sentido de passar pra consciência do outro o que se passa na sua. O que o outro tenta dizer nunca nos é perfeitamente compreendido. Algo sempre fica no meio do caminho, procurando loucamente uma entrelinha pra se encaixar. Entrelinhas filhas da puta!

- Comunicação também no sentindo de fazer com que a recíproca seja verdadeira, porque a gente também quer saber o que se passa naquela consciência isolada e individualista do outro, né?

- Isso! Até os gestos, se fosse possível, seria bom que pudéssemos traduzir. Mão no bolso significa, mão na cabeça, perna cruzada, pescoço inclinado pra direita... Pra captar todos os sinais, não deixar que nada escape, não abrir nenhuma brecha.

- É... E, se possível, ter um encontro como quem assiste a um filme legendado, com as letrinhas embaixo traduzindo cada coçada no queixo, cada ajeitada de sobrancelha etc.

- Mas e depois? Será que o total domínio sobre o outro, sobre o que se pensa&faz, seria, de fato, interessante? Ou será que pararíamos, cansadas pela previsibilidade cansável do sujeito, de tentar conquistá-lo? E ia sobrar um sentimento de insolência depois de ter revirado tudo por dentro do outro com o desejo de controle total da situação.

- ...

- Além da sensação de vazio que fica depois de uma procura do caralho que não nos leva a nada, a não ser a um lugar de completo conforto e comodismo diante do que a gente já sabe, e que nos faz parar, nos equilibra - equilíbrio no sentido de algo estático, apenas - que nos congela diante do nada de novo.

- Antes sair por cansaço, que cheia de energia condensada.

- É.

babi
zu

quarta-feira, 30 de junho de 2010

rittrato

Esse porta-retrato nunca teve muito a ver com a foto.
É um porta-retrato muito chique, fino, com detalhes sutis e delicados, definitivamente não combina com a foto. Foto antiga, preta e branca, algumas manchas amarelas, nem parece que um dia eu vivi isto. Nem parece eu! Por isso que eu gosto de dizer aos que me perguntam, que essa foto é de uma tia minha que mora numa cidade distante daqui, e que achei essa foto dentro de um livro qualquer na estante. Enfim, preciso comprar um porta-retrato novo, com cara de velho, queria um marrom, cor de madeira também serve, ou cinza, ou preto. Ou devo tirar essa foto e escondê-la dentro de um livro qualquer na estante? Não, melhor não, meu terapeuta sempre me diz que não é bom apagar o passado, ou melhor, tentar apagá-lo. Melhor deixar aí, mas tenho que comprar outro porta-retrato, ou talvez mudar as fotos de lugar, colocar a do meu cachorro na frente, a dos meus sobrinhos no meio, a da minha mãe do lado direito e essa atrás de todas, assim, de um jeito que ninguém a perceba. Hum, mas não sei se vai dar certo, essa foto me incomoda, é o porta-retrato, preciso trocá-lo. Ou será que fui eu que saí sorrindo demais na foto, fiquei com uma boca grande, sei lá. Preciso dar um jeito nisso, pior que nem tenho outra foto pra colocar no lugar desta, e nem outra estante vazia e escondida pra enfiar esta maldita foto. Olhe, será que a responsabilidade foi mesmo minha por tudo isso ter acontecido? Será mesmo que esta foto, que me incomoda tanto, só me incomoda por mérito meu? E você, meu rapaz, o que fazias aí ao meu lado, contribuindo imensamente pra essa sorriso imenso e essa boca grande no final das contas? Por que me aperecestes me fazendo tão feliz? Por que estragastes a foto? Por quê?!