terça-feira, 16 de setembro de 2008

Ao que fica.

Do movimentar das mãos, dos dedos, os cabelos, o vento, o vinho, um ninho, vazio. Das horas passando como se fossem segundos, a ânsia pelo futuro, o muro. O escuro que fica na vista cega da saudade que invade sem pestanejar a vida, a minha. Perdendo o rumo, o ônibus, a noção de tempo e espaço, o passo, o andar devagar de quem não quer passar, de quem gostaria de ficar ali, sentado, parado, pensando, sentindo, estático. Deixando escapar os vestígios das vontades, da saudade, dos desejos mais primitivos que antes reprimidos, mas agora claros, vistos a olho nu, na testa, na pele, no sorriso, no movimentar das mãos, dos dedos. Quem sabe, assim, os medos serão esquecidos debaixo daquele tapete amarelo, velho, pisado, cheio de rastros de vidas passadas, libertando apenas as coisas amadas, adoradas, aproveitadas, derramadas a esmo na mesa, na minha. Olho o tempo e contemplo e entendo que passa, que escapa das mãos como se fosse vento, como se fosse nada, mas é muito e muda e muito. E me prendo ao suor, as entranhas, as façanhas pra conseguir fazer parte do eu do outro, das tentativas inúmeras de querer ser inesquecível e ser, de fazer sentir o impossível, enxergar o invisível e quase invadir o outro por inteiro, num impulso derradeiro, cabal, fatal.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Temporada.

Outono, acho melhor a gente se dá um tempo, um intervalo, precisamos de descanço para poder abstrair o que vem acontecendo. Quero entender no que vamos dar um tempo, se é na relação ou na ausência dela. Se é na minha obsessão descabida de querer-te com títulos, com um nome que não talvez não mude nada, de querer-te com mais essa certeza dispensável, já que eu acredito que me amas e que te tenho em minhas mãos, não porque quero, e sim porque essa é a tua vontade. Ou se daremos esse breve, estimo, intervalo no teu pavor inconcebível em se entregar, em assumir estar preso pelos teus próprios desejos. E isso não seria amor, e seria. Amor não é aprisionar, e não aprisiona. Pessoas é que se deixam aprisionar. Mas não te preocupas, te prender não está na minha lista de vontades conscientes. Sei que és suficientemente sábio, que jamais se deixarias corromper por sentimentalidades, e menos ainda, nunca serias passivo a ponto de se ver trancafiado por uma coisa que nem, sequer, dá pra tocar, mensurar, quantificar, tampouco aprisionar. Outono, acho que o Inverno chegou e precisamos de algo que realmente possa nos esquentar.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

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Tentar se expressar pela fala é mesmo coisa complicada. Pior que a gente tem a ilusão de que falando é mais fácil de fazer o outro entender, que falando os pensamentos se organizam e bibibi: mentira! Falar é bagunça, uma desordem verbal, isso quando são somos prolixos. Assisti um filme hoje que me fez 'arrepender' tanto das horas inúteis que eu passo no telefone falando explicando indo voltando construindo destruindo... nossa! Nem acreditei que eu, que tanto prezo pela fala, pela voz, pelo dito, e que não consigo, a não ser dormindo (e nem tenho la tanta certeza), ficar mais de 30min calada, aguentei mais de 1h sentada vendo apenas o corpo falar, expressões, rugas, movimentos, atitudes. Sério como parecia mais fácil, mais claro, e muito mais óbvio do que mil palavras. O filme foi Le Bal, de Ettore Scola. Bom, é isso, so queria atualizar e falar o que eu estive pensando sobre esse filme e sobre essa minha vontade incontrolável de querer explicar tudo da melhor maneira possível que acabo confundido a mim mesma beijos.