domingo, 18 de outubro de 2009




















"tudo em mim
anda a mil
tudo assim
tudo por um fio
tudo feito
tudo estivesse no cio
tudo pisando macio
tudo psiu

tudo em minha volta
anda às tontas
como se as coisas
fossem todas
afinal de contas"

leminski.

sábado, 17 de outubro de 2009

vazio e meio.

Como é difícil olhar os outros com os mesmos olhos que nos olhamos. A empatia nunca foi tão inalcançável como hoje em dia. Sentir o que o outro sente sendo isto diferente do que a gente sente é quase um universo paralelo. O outro é, de fato, outro, alguém distante, fora de si, ausente, discrepante! Um limite indubitavelmente insuportável, o muro de berlim dos desejos, o que me restringe, o que me adia. Esqueço que a minha simples existência depende de um fator imprescindível: o outro! E a liberdade, aquele pote de ouro no final do arco-íris, de nada me serviria se no mundo só a minha existência fosse reconhecida. Talvez por isso os nossos olhos não sejam nas pontas dos dedos, e sim no rosto, face essa que só é capaz de olhar o outro e não a si. Preciso de um espelho, algo fora de mim, que me mostra, que me simula, que nada sei sobre mim diante do que é refletido. Um simulacro, e nada é revelado. Meus olhos mentem, os olhos vivem de aparência. Doença, demência que entorpece a todos, que cega ao mesmo tempo que enxerga, que avista e avisa e mente, mentiras os olhos dizem todo dia. Mas e os ouvidos, e os sentidos e. Estão todos contra mim, estou eu contra todos? Contra o outro, contra mim que também sou outro, contra meus sentidos, meus olhos que tanto achei que me guiavam? Em quem/que eu devo confiar? Em minha consciência que não sei se é consciente, ou em meu inconsciente que nem sei se existe? No meu sexto sentido... e ele existe? Preciso de uma mão que não a minha, preciso do pulsar de outrem, do olhar de outrem, da voz. Me guio pelo aroma do outro, pelo cheiro de carne viva pulsante, pensante. Preciso do excesso do outro pra me completar. Sozinho sou um vazio e meio.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Na ladeira

Lá vem ele descendo a ladeira, regata verde musgo, bermuda xadrez. Raul sempre foi muito previsível, menino de verão, sempre livre! Ele acredita que pode voar, mas nunca arriscou uma tentativa. Mora dentro do quarto, janelas bem fechadas, ventilador ligado 24h, computador, cigarros. Muito calado, muito amor e carinho garganta a dentro. Raul é pálido, veias bem azuis, roxas, meio esverdeadas, dorme numa cama de casal. Manso, silencioso, esquisito às vezes, forte, muito forte, braços firmes, olhos profundos, raul carregava o mundo e não sabia, sabia das horas insone que vivia entre quatro paredes, sabia dos ponteiros passando do relógio, sabia do vento que não ultrapassava o vidro daquela janela. Ô, raul, esse teu mundo não é mais só azul, a vida te fez enxergar ele cinza. Raul procura um amor, um amor de blusa preta, calça jeans, cabelo solto despenteado, olhos desconfiados, cara de quem pede ajuda. Raul procura a rua, a estrada crua, sem asfalto, sem fim. Torcer pra que ele encontre, num momento não tão longe, o que tanto se esconde, mas que está dentro de si.

sábado, 12 de setembro de 2009

queda de energia

acordo. me sinto presa à cama. um cheiro estranho impregnou o meu quarto. não sei o que aconteceu ontem, nem de onde vem esse cheiro que me dá náuseas e me faz fraca. não consigo me levantar da cama. penso em Kafka, penso na metamorfose. preciso levantar. talvez a inércia de meu corpo queira dizer algo. e quer, mas não compreendo. penso em um curta preto e branco que assisti ontem: disto eu lembro bem. era preto e branco, ontem. pedaços do meu corpo doem. não sei o que aconteceu. estou desprevinida demais para tentar lembrar. deixei escapar todos os meus suportes emocionais, toda minha força física, acredito, foi perdida ontem. quem eu era? a cama ainda me prende, meu corpo ainda se abraça com ela. minha paciência se esvai, se expõe pelos poros de meu corpo. estão todos abertos, respiro por inteiro. com a janela fechada o cheiro nunca vai sair. mas estou presa. o que aconteceu ontem? quem eu fui e o que fiz? estou presa. será que é isto?

domingo, 16 de agosto de 2009

o grande dilema de quem não tem nada a dizer:

quarta-feira, 29 de julho de 2009

abstinência I

E tudo há de se dissipar. Virar resquício no universo. Deixar-de-ser. Transformar-se, evoluir. Sobrarão, sim, algumas reminiscências, uns restos de ontem, alguns fios de cabelo perdidos no tapete do banheiro. O ar já não será mais o mesmo, misturado com tudo o que se perdeu será doce, e se inspirado demais poderá causar náuseas. A náusea. E ela te fará lembrar de nós, dos dias, das noites, das vezes de amor ao pé da lua, recitando poesias pro outro dormir. Encantado eram os carinhos que nem precisavam de toque, teu olhar era um deleite, e te tocar me ardia, era o mais alto grau das sensações. Minhas reflexões de hoje são memórias, lembranças, não há nada de novo. Só o ontem permanece em minha mente, só ele faz parte de mim e me ofusca os sentidos, me deixa sem ar, por vezes sem voz, sem vez. E eu só queria te ter, reter pra mim todo o teu poder, teu domínio sobre mim me dava luz, me fazia existir por entre as gramas desse jardim antigo, onde deitei um dia pra me unir a ti, pra ser um só. Te contaminar com meu sangue, com as minhas entranhas, com meu mistério, meus segredos. Te encontrar no infinito me acalma, me sossega. Depois do amor é pro infinito que se caminha... e é lá onde eu quero repousar agora, enfim.

domingo, 26 de julho de 2009

Ndsgn

depois de muita melancolia vem o cansaço! ê, coisa boa. uma gripe pra refrescar e acalmar os nervos cheios de adrenalina dopamina loucos e frenéticos de mais de uma semana sem descanso acordando às 9 a.m e indo dormir de 7 a.m. chuva e barraca abafada, muitas trocas, o perigo da saliva, o suor, amizade, susto e lágrimas de crododilo, vai. cléopatra e mickey, febre de 39 graus, boca e olhos visivelmente inchados. pulseirinha verde cheia de treta, pimentas e muita saudade. perdendo aqui, ganhando ali. valeu a pena! agora fixar os olhos no horizonte e se preparar pras possibilidades de agosto. pensamento positivo, energia sendo armazenada nessa ultima semana, um buraco enorme esperando pra ser preenchido e um pouco de sangue que não se sabe porquê veio.

beijo.