"Permaneço no escuro como um cego
Porque meus olhos não te encontram mais
A faina turva dos dias para mim
não é mais que uma cortina que te dissimula.
Olho-a, esperando que se erga
esta cortina atrás da qual há minha vida
a substância e a própria lei da minha vida
e, apesar disso, minha morte.
Tu me abraçavas, não por desrazão
mas como a mão do oleiro contra o barro
A mão que tem poder de criação.
Ela sonhava de algum modo modelar –
depois se cansou,
se afrouxou
deixou-me cair e me quebrei.
Eras para mim a mais maternal das mulheres,
eras um amigo como são os homens,
eras, a te olhar, mulher realmente, mas também, muitas vezes, criança.
Eras o que conheci de mais terno
e mais duro com que tenho lutado.
Eras a altura que me abençoou –
te fizeste abismo e naufraguei."
Rilke.
sábado, 12 de dezembro de 2009
sábado, 28 de novembro de 2009
Slow down, you crazy child.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
lover
E no meio de toda essa ilusão etílica te tomei com muita sede, te vi puro, te vi meu. Expandi meus sentidos, troquei contigo todos os meus poderes mágicos, fantásticos. Te senti místico, esotérico, histério, me pedindo calma, me pedindo alma. Inviabilizamos qualquer tentativa de adormecimento, era tudo vivo, tudo vida. Cometemos o suicídio carnal, ali tudo ia além, tudo transcendia. Tu eras a única parte que me cabia.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
íons, cátions...
sábado, 24 de outubro de 2009
samba e amor a vida inteira.
alegria requebrando por entre os móveis afastados da sala, na rede deita uma preguiça depois do almoço e nos sonhos encontra os seus semelhantes, mergulha fundo nas idéias obscuras, vive o êxtase! acorda com beijo na testa, pela porta há uma fresta por onde o crepúsculo entra. O tempo sentado na mesa do escritório fazendo as contas do mês, saudade deitada num quarto escuro, enrolada num lençol verde, a esperança vive acesa, lê perto de um abajur cor de carne. Vaidade não sai da frente do espelho, e o vermelho é onde mora a ânsia, que é muito conhecida como paixão. enquanto isso o amor faz samba sentado na varanda segurando a minha mão.
domingo, 18 de outubro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
vazio e meio.
Como é difícil olhar os outros com os mesmos olhos que nos olhamos. A empatia nunca foi tão inalcançável como hoje em dia. Sentir o que o outro sente sendo isto diferente do que a gente sente é quase um universo paralelo. O outro é, de fato, outro, alguém distante, fora de si, ausente, discrepante! Um limite indubitavelmente insuportável, o muro de berlim dos desejos, o que me restringe, o que me adia. Esqueço que a minha simples existência depende de um fator imprescindível: o outro! E a liberdade, aquele pote de ouro no final do arco-íris, de nada me serviria se no mundo só a minha existência fosse reconhecida. Talvez por isso os nossos olhos não sejam nas pontas dos dedos, e sim no rosto, face essa que só é capaz de olhar o outro e não a si. Preciso de um espelho, algo fora de mim, que me mostra, que me simula, que nada sei sobre mim diante do que é refletido. Um simulacro, e nada é revelado. Meus olhos mentem, os olhos vivem de aparência. Doença, demência que entorpece a todos, que cega ao mesmo tempo que enxerga, que avista e avisa e mente, mentiras os olhos dizem todo dia. Mas e os ouvidos, e os sentidos e. Estão todos contra mim, estou eu contra todos? Contra o outro, contra mim que também sou outro, contra meus sentidos, meus olhos que tanto achei que me guiavam? Em quem/que eu devo confiar? Em minha consciência que não sei se é consciente, ou em meu inconsciente que nem sei se existe? No meu sexto sentido... e ele existe? Preciso de uma mão que não a minha, preciso do pulsar de outrem, do olhar de outrem, da voz. Me guio pelo aroma do outro, pelo cheiro de carne viva pulsante, pensante. Preciso do excesso do outro pra me completar. Sozinho sou um vazio e meio.
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